O que é Ágora?

A ágora manifesta-se como a expressão máxima da esfera pública na urbanística grega, sendo o espaço público por excelência. Era nela onde ocorriam as discussões políticas e os tribunais populares: era, portanto, o espaço da cidadania. Por este motivo, a ágora era considerada um símbolo da democracia direta, e, em especial, da democracia ateniense, na qual todos os cidadãos tinham igual voz e direito a voto.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A MORTE DO ESPÍRITO

Entre modas, novelas, músicas insistentes, partidas de futebol e concursos de beleza, perderam-se os homens. Entrementes, na poluição visual e auditiva, instaurou-se o equilíbrio de consumo massivo, ganho pela insistência e alimentado por nossos desequilíbrios pessoais como indivíduos. Nessa teia, viramos eternos infelizes de um universo onde os desejos são inseridos e depois sanados na aquisição de uma felicidade artificial... Assim, entorpecidos, andamos cantando o que nos mandam escutar, tornando-se a superfície das roupas que nos mandam vestir e alimentando-nos conforme sugerem as musiquetas – quase nunca percebidas da primeira vez – ao fundo de alguma dessas propagandas televisivas que zumbem em nossos inconscientes.
Faz tempo que não vejo mais mulheres e homens nas ruas, vejo apenas caricaturas “neimarescas”, “ronaldinescas”...; cascas de protagonistas de novelas; falsificações de integrantes de bandas famosas; e top models vestidas com grifes paraguaias. Onde estão os cidadãos críticos, construídos na forja da razão e imunes ao mercado bovino das idéias prontas?
Estou farto desses tempos onde tudo o que precisamos é de um jogo de futebol passando na TV, uma ninfeta bonita (ou a beleza que nos vendem os mercadores de mulheres ideais) em um comercial de cerveja e uma oração a todos os santos para que nosso time vença o do outro que, com certeza, fez também o pedido às mesmas divindades.  
Pensem: já perceberam como um estádio de futebol é semelhante a um coliseu? E é justamente lá, nessa nossa versão de “circo” romano, – na ânsia de esquecer o mundo da individualidade e afogar nossos cérebros em um barril de alienações comunitárias – que se encontra o lugar ideal para o “relaxamento”, local onde só nos resta comer um pouco de pão e assistir a um desses showzinhos onde os espectadores, em sua maioria, ignorantes e alheios ao verdadeiro espetáculo, contemplam, na subliminaridade das doze horas falando da mesma partida, a morte de suas próprias capacidades críticas para os verdadeiros problemas...
Não sou contra nenhuma dessas manifestações, só gostaria de ver uma parte desse entusiasmo, que é investido em partidas infrutíferas e metamorfoses constantes de enlatados estereotipados de como se deve ser no momento em que todos são, convertido em preocupações reais dos tipos: O que perdemos de nós na multidão? Por que a corrupção não para e, dopados, achamos isso natural, pois as coisas são assim mesmo!?  Quero acordar ou ficar esperando, preguiçosamente, que o etéreo divino vença meus inimigos? Devo lutar ou fingir que o país está bem? (...)
Contudo, esperançoso, ainda penso não ser tarde se nos propusermos, agora, a começar a busca pelo reencontro com os cativos que se perdem todos os dias na distração de nossos corpos: os espíritos...    

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