Ontem, triste pela despedida, comecei a caminhar em outra direção (pelo menos profissionalmente)... Mas o que deveria ser motivo de conquista – por alguns instantes – pareceu-me uma perda tortuosa, pois acabei confuso no flagrante de já estar envolvido indelevelmente com as pessoas, suas ideias e com seus impulsos mais íntimos de verdade. Nesse enlevo de convivência tornei-me uma grande simbiose de valores que, no dia-a-dia, foram preenchendo um espaço enorme que faltava para minha autoconstrução de gente... Sim, o peito ainda dói e o pensamento insiste em não os deixar partir, contudo, pela firmeza do martelo da forja que confiaram a meu pulso, confesso estar agora pronto para encarar o novo desafio que se aproxima, porque sei que não irei sozinho, levarei uma legião de soldados comigo e apresentarei esse gigante de muitos espíritos ao universo que me propus enfrentar. A vivência que tive, além das convenções comuns, está intrínseca e fica, neste momento, nas palavras, nas atitudes e nos pecados purgados na difícil arte de ter que dizer adeus a quem se gosta...
Quando as palavras são proferidas
Nelas a força entrelaça o corpo inteiro
Porque no esforço de honrá-las
Tem-se que ganhar confiança
Na costura de pontos firmes
Na malha fina das almas
Unidas com outras vozes
De peles duras, pungentes...
Amarrado-as bem firmes
Até ficarem macias
E tornarem-se a cobertura de um corpo
Cheio de vísceras que se comunicam
E sentem a mesma dor...