O que é Ágora?

A ágora manifesta-se como a expressão máxima da esfera pública na urbanística grega, sendo o espaço público por excelência. Era nela onde ocorriam as discussões políticas e os tribunais populares: era, portanto, o espaço da cidadania. Por este motivo, a ágora era considerada um símbolo da democracia direta, e, em especial, da democracia ateniense, na qual todos os cidadãos tinham igual voz e direito a voto.

sábado, 24 de setembro de 2011

MEU ADEUS AOS HOMENS GIGANTESCOS...


Ontem, triste pela despedida, comecei a caminhar em outra direção (pelo menos profissionalmente)...  Mas o que deveria ser motivo de conquista – por alguns instantes – pareceu-me uma perda tortuosa, pois acabei confuso no flagrante de já estar envolvido indelevelmente com as pessoas, suas ideias e com seus impulsos mais íntimos de verdade. Nesse enlevo de convivência tornei-me uma grande simbiose de valores que, no dia-a-dia, foram preenchendo um espaço enorme que faltava para minha autoconstrução de gente... Sim, o peito ainda dói e o pensamento insiste em não os deixar partir, contudo, pela firmeza do martelo da forja que confiaram a meu pulso, confesso estar agora pronto para encarar o novo desafio que se aproxima, porque sei que não irei sozinho, levarei uma legião de soldados comigo e apresentarei esse gigante de muitos espíritos ao universo que me propus enfrentar. A vivência que tive, além das convenções comuns, está intrínseca e fica, neste momento, nas palavras, nas atitudes e nos pecados purgados na difícil arte de ter que dizer adeus a quem se gosta...

Quando as palavras são proferidas
Nelas a força entrelaça o corpo inteiro
Porque no esforço de honrá-las
Tem-se que ganhar confiança
Na costura de pontos firmes
Na malha fina das almas
Unidas com outras vozes
De peles duras, pungentes...
Amarrado-as bem firmes
Até ficarem macias
E tornarem-se a cobertura de um corpo
Cheio de vísceras que se comunicam
E sentem a mesma dor...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A MORTE DO ESPÍRITO

Entre modas, novelas, músicas insistentes, partidas de futebol e concursos de beleza, perderam-se os homens. Entrementes, na poluição visual e auditiva, instaurou-se o equilíbrio de consumo massivo, ganho pela insistência e alimentado por nossos desequilíbrios pessoais como indivíduos. Nessa teia, viramos eternos infelizes de um universo onde os desejos são inseridos e depois sanados na aquisição de uma felicidade artificial... Assim, entorpecidos, andamos cantando o que nos mandam escutar, tornando-se a superfície das roupas que nos mandam vestir e alimentando-nos conforme sugerem as musiquetas – quase nunca percebidas da primeira vez – ao fundo de alguma dessas propagandas televisivas que zumbem em nossos inconscientes.
Faz tempo que não vejo mais mulheres e homens nas ruas, vejo apenas caricaturas “neimarescas”, “ronaldinescas”...; cascas de protagonistas de novelas; falsificações de integrantes de bandas famosas; e top models vestidas com grifes paraguaias. Onde estão os cidadãos críticos, construídos na forja da razão e imunes ao mercado bovino das idéias prontas?
Estou farto desses tempos onde tudo o que precisamos é de um jogo de futebol passando na TV, uma ninfeta bonita (ou a beleza que nos vendem os mercadores de mulheres ideais) em um comercial de cerveja e uma oração a todos os santos para que nosso time vença o do outro que, com certeza, fez também o pedido às mesmas divindades.  
Pensem: já perceberam como um estádio de futebol é semelhante a um coliseu? E é justamente lá, nessa nossa versão de “circo” romano, – na ânsia de esquecer o mundo da individualidade e afogar nossos cérebros em um barril de alienações comunitárias – que se encontra o lugar ideal para o “relaxamento”, local onde só nos resta comer um pouco de pão e assistir a um desses showzinhos onde os espectadores, em sua maioria, ignorantes e alheios ao verdadeiro espetáculo, contemplam, na subliminaridade das doze horas falando da mesma partida, a morte de suas próprias capacidades críticas para os verdadeiros problemas...
Não sou contra nenhuma dessas manifestações, só gostaria de ver uma parte desse entusiasmo, que é investido em partidas infrutíferas e metamorfoses constantes de enlatados estereotipados de como se deve ser no momento em que todos são, convertido em preocupações reais dos tipos: O que perdemos de nós na multidão? Por que a corrupção não para e, dopados, achamos isso natural, pois as coisas são assim mesmo!?  Quero acordar ou ficar esperando, preguiçosamente, que o etéreo divino vença meus inimigos? Devo lutar ou fingir que o país está bem? (...)
Contudo, esperançoso, ainda penso não ser tarde se nos propusermos, agora, a começar a busca pelo reencontro com os cativos que se perdem todos os dias na distração de nossos corpos: os espíritos...    

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ORQUESTRA DE MALANDROS**

Hoje parei para tentar interpretar a música de Câmara santa-cruzense... Confesso que esse tipo de interpretação não é fácil. Não é como ler um livro onde colocamos os pés nas pegadas do autor para sentirmos por nós mesmos os lugares percorridos por ele. É o real-comum. É a visualização coletiva. É o cheiro igual. É o som que não se ouve de tanto que se escuta. Escutar?! Parei hoje para ouvir. Pois enquanto a orquestra insiste em executar o mesmo movimento (Synphony nº 11. Oppus. 17), ouvirei atento e reclamarei às massas “escutadoras” para que a OUÇA com mais atenção. Visto que sabemos bem o que se faz com massa, não? Massa se molda...
Contudo, não entendo tanta insistência da parte de nossos músicos para a execução dessa obra, já que noventa e dois por cento de seu público a desaprovou. Pelo jeito, para algumas coisas, esses nossos tocadores são bem surdinhos!
Quanto à representatividade... Pra quê? Nós – os ouvintes – já recebemos a música corrompida e reduzida em apenas duas notas: a da oposição e a da situação. No entanto, na insistência dos sons, acabamos por nos acostumar com a cacofonia desses dois acordes, mas melhor do que dois representados por onze ou dezessete, seriam ideais as tradicionais sete (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si), todas em tons diferentes – sem direita ou esquerda. Afinadas à vontade de seus maestros: o povo.
Se “os donos” dessa orquestra de Câmara não escutam, nós é que devemos fazê-los nos ouvir e não aceitar mais essa péssima orquestração. Devemos mostrar que detestamos músicas ruins... Ainda mais as que são tocadas por instrumentistas que não ouvem seu público, que foi contrário à qualidade do Oppus. 17. Que tipo de perversão se esconde na insistência desses acordes?
Precisamos ficar atentos, uma vez que eles (os músicos de Câmara...) estão lá, à espreita, insistindo a fazer se perder a nossa música no gosto insípido de suas próprias criações.  Pena que às vezes esquecemos que a batuta do maestro está em nossas mãos é só exigir mais seriedade de seus tocadores, a seu gosto, e rearranjar a acústica dessa Câmara. 

** Como os representantes populares da cidade de Santa Cruz do Sul, dotados de uma arrogância tremenda, passaram por cima da vontade do povo (aumentaram seu número de 11 para 17 vereadores), dedico essa pequena alegoria a esses filhos da pu...trefação. Pois estive lá na Câmara segunda-feira e não gostei da música que foi tocada por lá.... É difícil acompanhar falatórios inescrupulosos e ainda ter que ficar quieto. Sinto-me um caco e, mais ainda, impotente perante o caso... Espero que o leitor perdoe minha fraqueza!